A Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade e o seu Secretariado Nacional, decidiram escolher a temática da Liturgia e Espiritualidade para aprofundar o mistério da Liturgia como fonte e cume de toda a espiritualidade cristã. A extensão ou alargamento da Comissão Episcopal de Liturgia à Espiritualidade, não se destina somente a incluir e estruturar os movimentos de espiritualidade, mas a definir as relações que unem a liturgia à espiritualidade no programa dos cuidados pastorais da Igreja.
A conferência de abertura vai aprofundar as raízes da espiritualidade cristã, que S. Paulo resumiu em breves palavras: «Peço-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que vos ofereçais a vós mesmos como sacrifício vivo, santo, agradável a Deus. Tal é o culto espiritual que Lhe deveis prestar». A liturgia é esta espiritualidade que está presente em toda a vida do cristão. A liturgia não é tudo, mas está no início e no fim de todo o agir cristão. O que não partilha o espírito da liturgia não é cristão.

No segundo dia, a Eucaristia cele-brada, adorada e vivida vai ser objecto de reflexão. A vivência da Eucaristia e a Adoração eucarística são duas conferências, que abordam dois momentos duma mesma realidade espiritual.

O terceiro dia analisa a Liturgia das Horas e a Lectio Divina como lugares onde o Espírito Santo é o Senhor que dá a vida. A oração das Horas faz parte dos compromissos de vida sacerdotal e de vida consagrada, sobretudo pela espiritualidade esponsal entre Cristo e a Igreja, entre o Espírito Santo e a pessoa em oração. Felizmente, esta forma de oração está a voltar ao quotidiano de muitos fiéis e de muitas famílias, com uma grande fecundidade espiritual.

O quarto dia, dedicado a São Joaquim e Santa Ana, pais da Virgem Maria e avós de Jesus, convida-nos a contemplar a beleza da liturgia, incluindo a música litúrgica e a família cristã, onde se geram as pedras vivas do templo do Senhor. A beleza espiritual da liturgia, da música e da família são dons de Deus à sua Igreja e são oferta dos fiéis ao Senhor: «Dos próprios bens que nos destes, oferecemos à vossa divina majestade o sacrifício perfeito, santo e imaculado, o pão santo da vida eterna e o cálice da eterna salvação». Esta é a oferta da Igreja, adornada com a beleza da liturgia, a sonoridade da música e a harmonia e fecundidade das famílias.

O Encontro Nacional de Pastoral Litúrgica, que vai no seu 44º ano, tem uma longa história que regista os progressos da renovação litúrgica em Portugal. Há sinais de actividades sectáreas que atentam contra a espiritualidade da liturgia da Igreja. Este Encontro é uma escola de liturgia conciliar e de comunhão eclesial.

[Pedro Lourenço Ferreira, in Boletim de Pastoral Liúrgica, 168]