Dicionário elementar de liturgia
José Aldazábal
celebrar, celebração
Considera-se como muito feliz e positiva a recente recuperação dos termos «celebrar», «celebração», «celebrante», em referência às acções litúrgicas, em vez de «ofício, oficiar», «cerimónia», «rito», «função de igreja», «ouvir missa», «as¬sis¬tir», «receber os sacramentos», etc., como se ia generalizando, ainda há pou¬co. O Catecismo da Igreja Católica é o documento que com maior firmeza recuperou esta nova terminologia, sobretudo a sua segunda parte, que se chama, precisamente, «A celebração do mistério cristão», apresentando as suas subdivisões sobre «Quem celebra», «Como celebrar», «Quando celebrar» e «Onde celebrar».
«Celebrar» vem do latim, «celeber, celebrare», que tem uma conotação de «frequente, frequentar», mas que aponta sobretudo para uma qualidade festiva, ritual e comunitária na acção. Também na vida social se fala de celebrar festas, aniversários, vitórias, matrimónios, sínodos e concílios. Estes termos exprimem que, na liturgia, além dos ritos exteriores, acontece uma realidade interior, tanto de Cristo como das pessoas que celebram, e o nome abarca todos estes aspectos.
Se, nos séculos passados, chamávamos «celebrante», sobretudo ao sacerdote, agora os próprios livros litúrgicos mudaram a terminologia: ao sacerdote cha¬mam-lhe «presidente», enquanto que é à comunidade inteira que atribuem a «celebração», como seu sujeito integral: «Na Missa ou Ceia do Senhor, o Povo de Deus é convocado e reunido, sob a presidência do sacerdote que actua na pessoa de Cristo, para celebrar o memorial do Senhor ou sacrifício eucarístico» (IGMR 27).
Além de se usar esta expressão para os sacramentos e para a Liturgia das Horas, também se chamam «celebrações da Palavra» (antigamente chamadas «paraliturgias» ou «vigílias bíblicas»), aquelas que se centram na escuta da Palavra, por exemplo, seguindo o espírito dos vários tempos do ano (cf. SC 35,4). Esta é a celebração que as comunidades, que não têm presbítero, organizam aos domingos.